Crítica | X-Men: Apocalipse

X-Men: Apocalipse é um encerramento mediano para a segunda trilogia dos mutantes

xmen0003Aviso: O texto abaixo contém spoilers, leia por sua conta em risco.

Continuando a minha série de reviews atrasados, hoje é a vez de X-Men: Apocalipse. Dirigido novamente por Bryan Singer, a sexta aventura dos mutantes nos cinemas tinha tudo para ser um dos melhores filmes da franquia… Mas não foi. Não que seja um filme ruim, o longa tem lá seus momentos. Mas é um encerramento meio borocochô para essa nova trilogia. É um filme pálido, muito aquém do esperado.

psylocke_giphyEu como fã, não só dos quadrinhos dos X-Men, mas também dos filmes, queria muito ter curtido. Mesmo não me convencendo muito com os trailers fui de peito aberto ao cinema. Tentei não pensar no quanto Dias de Um Futuro Esquecido me decepcionou, ou no quão zoado eu achei a caracterização do vilão vivido pelo Oscar Isaac. Mas não deu. Apocalipse não chega a ser o pior da série, mas é fácil o mais fraco. O que é uma pena, pois esteticamente ele é lindo. Ambientado nos anos oitenta, esse é um dos filmes que mais se empenha em abraçar o tom vibrante das HQs, mesclando o colorido dos quadrinhos ao ar espalhafatoso da década. E faz isso bem. A direção de arte está impecável. É um festival de ombreiras, calças acima da cintura, mullets e referências a cultura pop para ninguém botar defeito – O Noturno (Kodi Smit-McPhee) vestindo a mesma jaqueta vermelha do Michael Jackson em Thriller é a melhor delas. A ação também é boa. A escala da batalha é exagerada, com cenas de destruição em nível global, mas os efeitos especiais estão de parabéns. Eu gostei como eles exploraram bem os poderes de alguns personagens, principalmente os do Magneto (Michael Fassbender) e os do Mercúrio (Evan Peters). Ver essa formação da equipe trabalhando junta, combinando suas habilidades na luta final também foi bem legal. Não chega a ter o mesmo brilhantismo da batalha no aeroporto de Capitão América: Guerra Civil, mas entretém.

xmen-apocalypse-gallery-04.0Constatar todo o potencial que esse filme tinha, e o que ele realmente entrega é uma das coisas mais frustrantes. O visual é incrível, o elenco é ótimo, a história leva para o cinema um dos maiores vilões dos X-Men, mas ainda sim, o filme é um mais do mesmo sem fim. Sabe aquela sensação broxante de Déjà Vú? Então, boa parte do que ocorre aqui, já aconteceu anteriormente em algum momento na franquia. Tudo soa como uma repetição dos capítulos anteriores. Nós já vimos o conflito ideológico entre Xavier (James McAvoy) e Magneto terminar com os dois seguindo caminhos diferentes antes, também já vimos um vilão usando o Cérebro para concretizar seus planos maléficos, e caramba, por mais que seja um puta momento legal, não dá para ficar repetindo a cena do Mercúrio em todo filme agora, né? Até concordo que em time que está ganhando não se mexe, mas sem adicionar algo novo à mistura, um elemento que traga frescor e faça a história andar para frente – algo que Matthew Vaughn soube fazer muito bem em X-Men: Primeira Classe –, o resultado dificilmente seria outro se não esse: um filme regular. Se fosse qualquer outro blockbuster ok, até vai, mas um filme dos X-Men merecia mais.

xmen0007Singer até que acerta no início. A cena de abertura no Egito antigo é grandiosa, com a apresentação de En Sabah Nur envolta numa aura de misticismo. Esse começo tem toda uma temática religiosa interessante que infelizmente não é desenvolvida no decorrer da trama. Oscar Isaac se esforça, e até que consegue soar ameaçador, mas seu Apocalipse sofre com a falta de aprofundamento da trama. Tudo o que ele faz é soltar frases de efeitos (Tudo que eles construíram irá cair/Vocês são todos meus filhos), que soam ainda mais vazias quando constatamos a inconsistência com que ele é retratado. Ora, se o sujeito é capaz de transformar qualquer coisa em areia com um simples estalar de dedos, por que diabos ele precisa de Quatro Cavaleiros para executar seu plano de dominação mundial? Melhor ainda, como é possível os X-Men oferecerem algum tipo de resistência a um ser tão poderoso sem que ele os aniquile num piscar de olhos? Esses furos no roteiro, no entanto, nem é o mais grave para mim. Particularmente, senti muito mais falta do fato de não terem explorado a personalidade egocêntrica do primeiro Homo Superior da história. A ideia dele se considerar um Deus, e pai da raça mutante, poderia ter rendido  os questionamentos sobre fé, religião e liderança muito mais interessantes que os retratados no filme.

x-men-apocalypse-resenhaQuase tão decepcionante são seus quatro cavaleiros. O visual de cada um deles está incrível, bem fiel aos quadrinhos, mas com exceção do Magneto nenhum tem alguma relevância de fato dentro da trama. Estão ali simplesmente cumprindo tabela, fazendo número nas cenas de batalha. Essa é umas das minhas reclamações mais constantes dos filmes do Singer. Tratar personagens importantes da mitologia dos X-Men como figurantes de luxo é um baita erro. O Anjo (Ben Hardy) praticamente entra mudo e sai calado. A Psylocke da Olivia Munn não fica muito atrás. A sua ninja psíquica prometia tanto no material de divulgação, com seu uniforme beirando a perfeição, mas Olivia não faz nada além daquilo que vimos nos trailers. A Tempestade (Alexandra Shipp) se sai um pouco melhor do que os outros dois, com sua idolatria pela Mística (Jennifer Lawrence) a fazendo mudar de time, mas fora isso tudo o que a personagem faz é ficar ali parada com cara de poucos amigos atrás do Apocalipse.

xmen0001Outra coisa que me incomodou bastante foi ver o Fera (Nicholas Hoult) e a Mística a maior parte do tempo de cara limpa. Todo aquele papo de Mutant And Proud parece ter ido pelo ralo de vez. Eu até entendo que isso tenha mais a ver com querer aproveitar a imagem dos atores do que qualquer outra coisa, mas é um puta retrocesso do ponto de vista narrativo. Eles até tentam explicar a fato da Mística não usar tanto sua forma azul por medo de ser reconhecida após os eventos de Dias de Um Futuro Esquecido, mas não colou muito. Principalmente quando o filme se esforça para lhe alçar ao posto de líder da equipe. Eu já nem reclamo tanto de transformarem a personagem em uma heroína nas telas, já que no contexto dessa nova trilogia isso é até justificável, mas talvez essa escolha tivesse funcionado melhor se Jennifer Lawrence não tivesse atuado a trama inteira no piloto automático. Se até a sempre carismática J. Law parece entediada com o filme, imagina o espectador?

Magneto_566ae30cdFelizmente James McAvoy e Michael Fassbender parecem super comprometidos com a franquia e nos dão performances sólidas. Fassbender se entrega ao personagem com uma dedicação genuína, carregando todo o arco dramático do filme. O desfecho de sua vida pacata como pai de família é quase idêntico aos quadrinhos, e apesar de ser usado apenas como justificativa para fazê-lo atuar como um dos seguidores de Apocalipse, toda a cena onde sua esposa e filha são assassinadas comove graças a atuação excepcional de Fassbender. McAvoy também não fica atrás, e mostra que o maior poder de Xavier é mesmo sua capacidade de empatia. O ator também representa muito bem o tom paternal do telepata. Suas cenas com a Jean Grey (Sophie Turner) são ótimas. Boa também é a volta da dobradinha que ele faz com a Moira MacTaggert (Rose Byrne).

59286620150730215009Os novatos no elenco também não fazem feio. Tye Sheridan constrói um Ciclope frágil, ainda aprendendo a controlar seus poderes, mas que já demonstra a grandeza do futuro líder dos X-Men, e Sophie Turner encarna uma jovem Jean Grey confiante e poderosa, e nos faz ter esperanças de como seria uma adaptação decente do arco da Fênix Negra nos cinemas. É uma pena que cenas como a do Shopping tenham sido cortada – a Jubileu (Lana Condor), coitada, faz mais uma ponta do que qualquer outra coisa – para dar mais tempo para as cenas batalhas, pois a química entre os X-Men adolescentes é muito boa. Vê-los aprendendo lidar com seus poderes enquanto tentam se ajustar a um mundo que não os aceitam está no DNA de X-Men.

Weapon_XEu gosto das ligações que o filme faz com a trilogia original, como por exemplo, a jaula onde o Noturno e o Anjo se enfrentam no início do filme que remete diretamente ao primeiro longa da franquia.  A linha temporal não está mais tão bagunçada quanto antes, porém os furos na cronologia continuam. A tal participação do Wolverine (Hugh Jackman), é um puta momento legal, faze referencia direta Arma X, primeira história de origem do Carcaju nos quadrinhos, mas não faz o menor sentido do ponto de vista da continuidade. Afinal, a Mística não tinha salvo o Logan no final de Dias de Um Futuro Esquecido ao se fazer passar pelo Stryker? E é sério mesmo que ignoraram novamente seu parentesco com Noturno?

x-men-apocalypse-photo-x-men-costumes-955511A cena final, com os X-Men na sala de perigo uniformizados com trajes bem parecidos com os dos quadrinhos é bacana, mas não é o suficiente para tirar a sensação de que o filme poderia ter sido melhor. E como poderia. A menção ao Sr. Sinistro na cena  pós-créditos abre um leque de possibilidades para o futuro, principalmente para a família Summers (ainda mais com Deadpool alardeando que terá o Cable em sua sequência), mas vendo como retrataram o Apocalipse, não quero nem pensar no que possam fazer com o vilão. Eu já nem espero mais fidelidade ao material original, mas se a FOX pretende mesmo seguir com essa idéia de universo expandido dos mutantes nas telas é bom ela começar a se preocupar mais em entregar bons filmes do que ficar consertando a cronologia. Plantar alicerces para o futuro é legal, mas não adianta de muita coisa quando o seu filme não empolga. E, por favor, chega de histórias de origens.

 

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