Crítica | Legends of Tomorrow – 1ª Temporada

LegendsOfTomorrow

02. MédioAviso: O texto abaixo contém spoilers, leia por sua conta em risco

Encerrando a minha semana de reviews sobre as séries da DC Comics, hoje vou falar de Legends of Tomorrow. O seriado derivado de Arrow e The Flash despertou minha curiosidade desde que fora anunciado. A ideia de reunir um time inteiro de heróis em uma série própria me pareceu bacana; saber que suas aventuras envolveriam viagens no tempo era ainda mais animador e o trailer dava a impressão de que a ação seria algo acima da média dos padrões da CW.  Bom, não foi bem esse o caso. A série é legal, sim – para minha surpresa acabei gostando mais de sua primeira temporada do que do segundo ano de Flash. Eles acertaram em bastante coisa, principalmente ali na reta final do seriado. Mas no fim das contas Legends of Tomorrow acabou sendo apenas regular. Não é nem questão de achar que a série poderia ter sido melhor. Sabe quando algo simplesmente não te empolga da maneira que você acha que deveria? Pois é.

Legends of Tomorrow 1x01 – PilotA história acompanha Rip Hunter (Arthur Darvill), um ex-Mestre do Tempo, que está tentando a todo custo impedir que o imortal Vandal Savage (Casper Crump) ascenda ao poder e destrua a humanidade em 2166. Para isso Rip volta 150 anos no passado e recruta indivíduos especiais que o ajudem a deter o vilão. É com o intuito de salvarem  a humanidade e se tornarem ”lendas” que Ray Palmer (Brandon Routh), Sara Lance (Caity Lotz), Dr. Martin Stein (Victor Garber), Jefferson Jackson (Franz Drameh), Leonard Snart (Wentworth Miller), Mick Rory (Dominic Purcell), Kendra Saunders (Ciara Renée) e Carter Hall (Falk Hentschel) embarcam com Capitão Hunter em uma viagem através do tempo à bordo da Waverider atrás do vilão.

Para mim o programa acertou em cheio por não insistir no formato de vinte e tantos episódios como suas séries irmãs, mas ainda assim a trama parece se estender mais do que deveria para durar dezesseis capítulos. O plot principal é bom, mas acabou ficando cansativo em algumas horas, principalmente por conta da novela de “captura Vandal Savage, perde Vandal Savage”. Dez episódios teriam sido suficientes para contar a história, e tiraria muita da “gordura” do roteiro como, por exemplo, Rip enfiando os pés pelas mãos sempre que está perto de concluir sua missão. O personagem em si não é ruim, fazê-lo ser guiado mais por fins pessoais do que por altruísmo é justo, já que sua família foi assassinada nas mãos do tirano imortal, e é legal ver o ator Arthur Darvill, o Rory de Doctor Who, vivendo novamente aventuras pelo tempo. Mas os roteiristas pareceram tão perdidos quanto o próprio Capitão Hunter na hora de escrevê-lo. Rip quando não mente descaradamente para sua equipe, está pelos cantos se lamentando ou simplesmente não sabe o que fazer. Puta chefe de tripulação, esse, hein.

Legends_of_Tomorrow_03O vilão Vandal Savage também me incomodou bastante. O ator Casper Crump é bem caricato e o personagem é muito mal aproveitado na trama. Poderiam ter explorado mais de seu intelecto e engenhosidade, ao invés de o usarem apenas como uma desculpa para mover a história de um ponto ao outro. O vilão só brilha mesmo quando usa de seus ardis para conquistar seus objetivos, como quando ele manipula Ray Palmer para escapar da prisão, ou quando mostra todo seu poder de influência ao aliciar ainda na infância Per Degaton, um dos grandes ditadores da humanidade no futuro.

Aliás, a história envolvendo o jovem déspota foi um dos pontos interessantes que acho que a série abordou bem. Questões morais do tipo “você mataria Hitler se soubesse o que ele viria a se tornar” foram bem exploradas dentro da trama. Mais de uma vez os personagens tiveram que tomar decisões que lidem com questões dessa complexidade, e em todas elas o resultado me pareceu totalmente plausível e satisfatório.

landscape-1449301828-dc-legends-of-tomorrow-future-trailerAí temos também a questão das viagens no tempo. Trabalhar com viagens no tempo é sempre complicado. As de Legends of Tomorrow até que foram legais, tem muitos momentos dignos de Exterminador do Futuro, mas quanto mais se pensa nas regras que o próprio programa estabelece para essas viagens mais furos elas parecem ter. Em certo momento, por exemplo, as versões mais jovens dos heróis estão sendo perseguidos no passado, e Rip os esconde em outro ponto no tempo e isso não causa nenhum efeito imediato na linha temporal. Oras, se isso já ocorreu no passado era para eles no mínimo terem lembranças desses eventos, não? A coisa, no entanto, complica mesmo é no season finale. Se Vandal Savage morreu em três momentos diferentes do tempo como é que isso não alterara a morte da família de Rip ou todos os atos cometidos por ele? Dá dor de cabeça só de pensar.

No entanto, se você conseguir desencanar dessas incongruências, as viagens valem principalmente pelas reconstituições de épocas e lugares como a Rússia no auge da Guerra Fria ou o Velho Oeste, onde temos a participação especial do herói Jonah Hex (Johnathon Schaech). Rola até umas piadinhas legais também, bem à lá De Volta Para o Futuro, como quando Ray preso na década de 60 leciona ciências para o pai de Bill Gates, ou quando o Prof. Stein se apresenta para a sua versão mais jovem como Elon MuskStein ainda foi responsável por inspirar H.G. Wells a escrever o livro a Máquina do Tempo segundo a série.

Legends_of_Tomorrow_Last_Refuge_As cenas de ação estão bem legais. Os efeitos não são lá grande coisa, mas dá para ver que houve um investimento pesado na produção, e ocorre uma melhora gradual no decorrer da temporada. O visual da Star City de 2046 é do cacete, assim como a referencia ao Cavaleiro das Trevas do Miller, com Oliver Queen (Stephen Amell) aparecendo velho e com apenas um braço. O combate contra os Mestres do Tempo no último episódio também ficou muito bom, mas o meu momento favorito mesmo foi a luta entre Ray e o robô gigante construído por Savage chamado Leviathan. Eu particularmente queria ter visto mais do time todo em ação no decorrer da série, já que convenientemente eles faziam questão de tirar o Átomo e o Nuclear da jogada na maioria das vezes (talvez por serem personagens poderosos demais).

DC's_Legends_of_Tomorrow_-_Sara_Lance_character_portraitA dinâmica da equipe de modo geral funcionou legal para mim. Eu gosto da ideia desses indivíduos terem que superar suas diferenças e aprender a trabalhar em equipe. Foi uma solução esperta centrar os episódios em duplas podendo explorar as relações e interações de uns com os outros com calma. Gostei também de usarem o Ray com o alivio cômico do grupo. A cara de abobado que Brandon Routh faz é impagável. A inusitada parceria que ele monta com o Mick também é legal. Jackson e Stein criaram uma boa relação de cumplicidade, e achei que a química entre eles fluiu melhor do que quando o Robbie Amell fazia a outra metade do Nuclear.  Snart e Mick são claramente os que têm o melhor desenvolvimento no decorrer da série, indo de bandidos egoístas a heróis carismáticos. Ainda bem que mesmo com o retorno de Prison Break, tanto Wentworth Miller quanto Dominic Purcell garantiram participações no segundo ano da série. Miller roubou a cena em diversos momentos, com o Capitão Frio parecendo uma figura de liderança mais forte na equipe do que a do próprio Rip.

Outra que se saiu muito bem foi a Canário Branco. Caity Lotz manda bem para cacete nas cenas de luta, mas sua personagem também amadureceu e cresceu bastante no decorrer da temporada, finalmente controlando seu instinto assassino. Desses todos o personagem mais fraco do grupo para mim foi mesmo a Kendra. Achei que ela fosse crescer com a morte do Gavião Negro, mas os roteiristas trabalharam muito mal o arco da personagem. Como se já não bastasse aquela história chata dela ser atormentada por lembranças de suas vidas passadas os caras decidiram que ela deveria engatar um triangulo amoroso, previsível e sem graça com Ray.  Tinham que colocar histórias de casalzinho na série, né.

Resumindo, a série é divertida, honra e muito o espírito dos quadrinhos, sendo inclusive a série da CW que mais passa a sensação de estarmos vendo gibis ganhando vidas nas telas, mas ainda sim não consegue passar de mediana. Ela tem todos os elementos para isso, mas por alguma razão simplesmente não empolga o suficiente. Sabe macarrão sem molho? Você até consegue comer, mas é diferente do gosto que tem uma macarronada de verdade, certo? Então, essa é a analogia perfeita para definir o que eu achei de Legends of Tomorrow. Falta molho. Falta algo que te prenda a história e te faça ficar ávido para saber o que vai acontecer na semana que vem. De qualquer maneira, como o season finale mostrou, a série tem sim potencial para ser “lendária” se quiser. Vamos ficar na torcida para que a participação da Sociedade da Justiça na segunda temporada traga enfim algum tempero para a série.

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Uma resposta para “Crítica | Legends of Tomorrow – 1ª Temporada

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