Retrospectiva 2016

retrospectivaFala, galera! Demorou, mas saiu o primeiro texto de 2017. E sim, ele é um resumo do que rolou no ano passado. Essa talvez seja a hora em que você questione: “É sério isso?!? 24 de Janeiro e vocês fazendo retrospectiva de 2016?!?” Bom… Sim. Não nos chamamos Procrastinadores à toa. E vamos ser honestos, rolou tanta coisa legal no ano passado que seria uma puta mancada deixar passar em branco (Antes tarde do que nunca, não é mesmo?). Enfim, isso não necessariamente significa que esse texto seja um best of de 2016, ou um retrospecto minucioso de tudo o que rolou no mundo pop ano passado, está mais para uma analise rápida de alguns filmes e séries que não tive tempo de escrever sobre antes. Sendo assim, óbvio que muito coisa vai ficar de fora, até por que ainda não consegui assistir todos os grandes lançamentos do ano passado. Ou seja, nada de Esquadrão Suicida, Doutor Estranho ou Rogue One. No entanto, pode ser que eu já tenho falado de um filme ou série que você sentiu falta nessa lista, então dá uma olhada nas críticas aí nos arquivos para conferir. Partiu?

Star Trek: Sem Fronteiras

star-trek-beyond-bridge-crewAntes de revitalizar a franquia Star Wars nos cinemas, J. J. Abrams foi o responsável por fazer um dos melhores reboots das últimas décadas com o Jornada das Estrelas de 2009. Como um fã da série clássica, tenho que dizer que gostei pra cacete dos dois filmes que o diretor fez – Inclusive, acho Além da Escuridão um filme  injustiçado. Ao assumir a direção do terceiro filme dessa nova saga, o diretor Justin Lin não decepcionou. Star Trek: Sem Fronteiras é não só um encerramento digno para essa trilogia, como também um dos mais divertido dos três. Foi o que mais me lembrou a vibe da série clássica, com uma sensação de aventura episódica, e é o que melhor explora a boa química do elenco ao formar parcerias inusitadas. A ideia de dividir os principais membros da Enterprise em duplas foi ótima. McCoy (Karl Urban) e Scott (Simon Pegg) tem finalmente o destaque que merecem, roubando a cena diversas vezes. A dobradinha que se forma entre Magro e Spock é simplesmente impagável, remetendo direto a série. Scott está mais hilário do nunca ao lado da novata  Jaylah (Sofia Boutella), que aliás, é uma das grandes novidades e revelações do filme. Chekov também é muito melhor aproveitado – Dá até uma dor no peito ver o quão talentoso era o Anton Yelchin, morto em um acidente de carro em Junho do ano passado. Saber que   ele não reprisará mais seu papel é de cortar o coração. Outro momento emocionante é a homenagem a Leonard Nimoy falecido em 2015. Por conseguir reverenciar a série clássica, e ainda entregar um Blockbuster divertidíssimo, com uma trilha sonora foda – Quem diria que Beastie Boys um dia seria considerado música clássica? – e repleto de empolgantes cenas de ação, Star Trek: Sem Fronteiras é um verdadeiro presente para os novos e velhos Trekkies mundo afora, ainda que o vilão principal seja totalmente descartável e esquecível (Nem tudo é perfeito também). Diversão garantida!
04. Ótimo

 

Batman: A Piada Mortal

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Poderia ter sido a melhor animação da DC. Quiça o melhor filme do Homem-Morcego. No entanto, foi um dos maiores baldes de água fria do ano passado – A menos que você  seja da turma que odiou com todas as forças Batman v Superman e Esquadrão Suicida. Se vocês lêem o que eu escrevo por aqui, sabem o quanto eu estava empolgado com essa animação. O diretor, Sam Liu,  era fera, o produtor era ninguém menos do que Bruce Timm, Mark Hamil dublaria o Coringa e a história dispensa comentários. A Piada Mortal é simplesmente uma das melhores HQs do Cavaleiro das Trevas, escrita pelo mestre Alan Moore. Aí eu pergunto: COMO AINDA ASSIM ELES CONSEGUIRAM ERRAR A MÃO COM ESSE FILME?!? Eu sinceramente não sei. O filme é até fiel ao material original. É um pouco menos vivo, menos tenso que a HQ. O final  não tem a mesma ambiguidade da Graphic Novel, mas  ok. O estrago mesmo é feito lá no início. E eu não estou me referindo a famigerada cena de sexo entre o Morcegão e a Batgirl, e sim ao enredo besta que criaram para personagem numa tentativa de dar mais relevância para a Bárbara Gordon. A ideia até eraboa, já que uma das críticas mais fortes à história é o tratamento dado a futura Oráculo, sendo usada apenas como plot device. Mas além do prólogo infantilizar a personagem, criar uma constrangedora tensão sexual entre ela e seu mentor, ele não serve de nada para o andamento da história. Sério, os vinte minutos iniciais não acrescentam em nada para trama, e nem ao menos se encaixa no tom do filme. Estão ali só para justificar a duração do longa.  Pra mim essa foi a maior decepção de 2016 – Bom, pelo menos no mundo do entretenimento, já que ano passado mais pareceu que entramos numa realidade alternativa do que qualquer outra coisa. Vamos torcer para que as animações da Liga da Justiça Sombria e Novos Titãs: Contrato de Judas façam jus aos quadrinhos, pelo menos. E caso não tenham lido, leiam s HQ e evitem essa bomba.
01. Ruim

 

Better Call Saul (2ª Temporada)

better_call_saul_s2Vince Gillian é o cara. Breaking Bad foi um dos melhores shows de todos os tempos, e Better Call Saul é um spin off a altura. A série já tinha mostrado que é ótima na primeira temporada, e só se superou esse ano. Acompanhar a transformação de Jimmy em Saul Goodman está sendo fantástico. Do roteiro à direção tudo parece ser milimetricamente planejado. Bob Odenkirk nasceu para viver esse papel. Assim como Jonathan Banks para viver o Mike. Cacete, ele é outro que merecia uma série solo. Isso sem mencionar que está praticamente confirmado o retorno de um certo personagem de Breaking Bad no terceiro ano da série. Um sujeito relacionado a um tal de Los Pollos Hermanos. Para quem curte ver como a TV continua incorporando os melhores aspectos do cinema essa é uma série obrigatória. Vejam Better Call Saul!
05. Excelente

 

Stranger Things

starnger-things-kidsDas inúmeras séries que eu acompanho são poucas as quais eu consigo criar um vínculo emocional realmente forte como os filmes e seriados antigos que eu cresci assistindo. Algo que me cause aquele mesmo encantamento que o cinema e a televisão pareciam ter quando eu tinha por volta de meus sete, oito anos de idade. Dito isso, acho que um dos melhores elogios que eu posso fazer a Stranger Things é dizer que ela tem um espaço reservado no meu coração, ao lado de filmes como E.T. – O Extraterrestre, Goonies, Conta Comigo e tantos outros. Muita gente atribui a nostalgia o fenômeno que o programa se tornou, mas se eu tivesse que definir a razão de seu sucesso, com toda certeza diria é por que ela, assim como os filmes da década de oitenta que a série homenageia, possuem não só magia, mas diretores verdadeiramente apaixonados pelo que fazem. É fácil ver no trabalho dos Irmãos Duffer a mesma paixão e fixação por filmes que nomes como Steven Spielberg e George Lucas demonstravam ter no inicio de sua carreira. Sério, eu fiquei realmente encantado com esse seriado. Tem tempo que não vejo um elenco jovem tão talentoso – E olha que eu sou um mega fã de Super 8. Sim, a sensação de familiaridade ajuda, mas o carisma da turminha é arrebatador. Will, Mike, Lucas e Dustin são aqueles tipos de moleques que todo mundo quer ser amigo na escola, mesmo eles não sendo os mais populares. O quarteto protagoniza uma daquelas histórias de amizade de fazer muito marmanjo sentir saudades dos tempos de infância. E nem me deixa começar a falar da Eleven. A pequena Millie Bobby Brown tem certamente um futuro promissor pela frente. O que eu mais gosto é como a série consegue utilizar sua colcha de retalho de referências para fazer algo novo e original. É basicamente um três em um. Tem a aventura para as crianças à lá Spielberg e Richard Donner, com Eleven e cia. Tem o terror adolescente à lá John Carpenter e Wes Craven com o trio Nancy, Jonathan e Joe. E tem a boa e velha ficção cientifica com doses de drama e terror, com os personagens da Winona Ryder, Matthew Modine e David Harbour. Fora que a ideia do Mundo Invertido é legal para caramba – E sim, eu sei que parece muito com Silent Hill. Por toda a homenagem que presta ao cinema dos anos 80 e a cultura nerd, pelo roteiro super cuidadoso que consegue unir os mais variados gêneros em um mistura simplesmente deliciosa, e pelo elenco mirim mais fofo dos últimos anos, Stranger Things é uma pequena obra-prima da Netflix, daquelas que você não tem opção se não maratonar tudo numa noite. Se é que tem alguém que ainda não viu, corre lá e veja! Agora!
05. Excelente

 

Preacher

preacher-amcHá anos que eu escuto falar em uma adaptação de Preacher, e honestamente cheguei a pensar que o projeto nunca sairia do papel.  Mas a série saiu, e olha… Que foda! Antes que os mais puristas reclamem, não sou um grande conhecedor da obra do Garth Ennis. Li os primeiros arcos, mas como todo quadrinho da Vertigo que saia por aqui, os atrasos e cancelamentos dificultaram muito acompanhar a história. Dito isso, não me incomodou o fato da série tomar grandes liberdades em relação ao material original. Parte da essência cínica e satírica da HQ esta lá. O season finale não me deixa mentir. Essa primeira temporada da série funciona quase como um prequel para quem já leu os quadrinhos. A escalação de elenco foi acertada. Dominic Cooper está ótimo como o Pastor Jesse Custer. Ele só não é o melhor da série por que Ruth Negga (Tulipa) e Joe Gilgun (Cassidy) entregam personagens igualmente fodas. Cassidy é provavelmente o meu favorito ao lado do Santo dos Assassinos. Os episódios em que o pistoleiro aparece, aliás, são os melhores da série. Enfim, se você é fã dos quadrinhos, desencana e embarca na abordagem da série que realmente vale a pena, se não é, assista sem medo que Preacher é ótima.
04. Ótimo

 

Luke Cage

luke-cageMais uma boa série da parceria entre Marvel e Netflix, Luke Cage acerta em vários quesitos, mas eu estaria mentindo se dissesse que não esperava mais. O elenco é ótimo, a trilha carregada de Black Music é excelente, e o momento não poderia ser mais propício. Em tempos de Black Lives Matter, uma série que de muitas maneiras evidencia os problemas que assolam a comunidade negra é mais do que bem-vinda. Dado esse contexto, até entendo deixarem de lado o lance do Herói de Aluguel, e fazer do Luke Cage um cara mais centrado, pé no chão, que só quer viver sua vida tranquilo sem ser incomodado. Porém, isso acaba prejudicando o andamento da série em alguns pontos. Essa resistência do personagem em assumir seu papel de herói, torna a série arrastada, e para ser honesto monótona em diversos pontos. Não que ela seja ruim, mas a impressão que fica é que o roteiro prolonga demais certos arcos só para preencher o tempo – Francamente, o Luke poderia ter acabado com o negócio do Cottonmouth muito antes se ele quisesse. Assim como Jessica Jones, treze episódios pareceu muito mais do que a série realmente precisava. Acho que até agora só mesmo o Demolidor fez valer esse número de episódios por temporada. Mas por toda a relevância e exaltação que faz da cultura negra americana, principalmente a história do Harlem, Luke Cage vale muito a pena.
03. Bom

 

Westworld

160819-westworld-s1-blast-07-1280Não tem muito o que falar. Westworld foi a melhor série de 2016. Fim de discussão. Roteiro. Atuações. Figurinos. Fotografia. Tudo impecável. Vendida como a possível sucessora de Game of Thrones, Westworld rapidamente se tornou algo muito maior do que uma simples substituta para série de George R. R. Martin, e sem dúvidas foi um dos programas mais intrigantes da temporada. Um mistério ou outro ali pode ter sido desvendado bem antes do tempo por um espectador mais atento, mas isso não diminui em nada o mérito da série em criar tramas bem engendradas, com múltiplas narrativas e cheias de elementos visuais, capazes de fazer brotar as mais diversas teorias internet afora.  Desde Lost não vejo um show levar tanta gente a quebrar a cabeça para juntar todos os pontos assim. Para o caso de alguém não ter visto, não vou entrar muito em spoilers, mas pense em uma mistura de Parque dos Dinossauros com I.A. – Inteligência Artificial, com muitas discussões filosóficas e altas doses de violência e mistério para temperar. Se isso ainda não é o suficiente pra você, tem o Anthony Hopkins num dos seus papéis mais marcantes dos últimos anos. Apenas assistam.
05. Excelente

 

Justiça

justica-rede-globoDigam o que quiserem das inclinações políticas da emissora, mas se tem uma coisa que é inegável é o talento da Rede Globo em produzir teledramaturgia. Eu como qualquer outro brasileiro cresci assistindo as novelas e minisséries do canal, alguns verdadeiros clássicos como as antológicas “Roque Santeiro”, “Vale Tudo”, “Pedra Sob Pedra”, “Renascer“, “O Rei do Gado“, e as minisséries “Labirinto“, “A Muralha“, “Mad Maria“, “Capitu” e “Hoje é Dia de Maria“. E para ser honesto, sempre me entretive bastante com elas. Digo isso, por que mesmo fazendo um bom tempo que não acompanho um folhetim da emissora (com exceção de Velho Chico, que eu cheguei a assistir uns bons capítulos e realmente gostei muito de toda a estética e tema regionalista) não consigo entender o desdém que a atual geração tem pelas produções da emissora. Entretanto, mesmo para mim que não sou tão cego em relação a qualidade que o canal emprega em suas produções quando quer, tenho que confessar que Justiça foi realmente uma puta surpresa. Eu esperava que a minissérie fosse boa, mas o projeto  conseguiu ir além e realmente foi algo diferenciado para os moldes da TV brasileira. Da trilha sonora inspirada à linda fotografia, tudo nessa série denotava uma qualidade e um capricho absurdo. Mais definitivamente  o que mais chama a atenção aqui mesmo é o roteiro e as vidas que se cruzam varias vezes ao contar a história de quatro ex-condenados e suas tentativas de retomar suas vidas. Esse lance de múltiplas narrativas que se cruzam me lembrou um pouco do Babel, do Alejandro González Iñárritu. Isso por si só já seria o suficiente para tornar o projeto super audacioso, mas os dilemas e questões morais que a série abordam elevam a produção a outro nível, junto com as brilhantes atuações de todo elenco. Adriana Esteves, Débora Bloch, Jesuíta Barbosa, Enrique Diaz, Luíza Arraes, Cauã Raymond, Vladimir Brichta dão um banho em seus papéis. Para quem adora comparar os folhetins tupiniquins com as produções da HBO ou Netflix da vida, Justiça é a prova que quando queremos podemos ser tão bons quanto.
05. Excelente

 

Supermax

Pois é, mas não é sempre que a Rede Globo acerta. Supermax está aí para provar. Eu realmente queria que essa série tivesse sido boa, mas tudo o que eles tiveram em ousadia para investir no gênero de terror no horário nobre, faltou na execução e principalmente na hora de escrever um roteiro um pouco mais coerente. A premissa da série em si era muito boa, mas se perdeu totalmente com uma trama que atirava para tudo o que é lado sem nunca acertar o alvo. Até a ideia de mostrar o passado dos personagens em flashbacks, que poderia auxiliar tanto no tom de mistério como aproximar o espectador dos personagens, é mal utilizada, e acaba mais atrapalhando do que ajudando. O que é uma pena, pois a reta final do show mostra que ele tinha potencial. O episódio focado na origem das criaturas é ótimo. Se ao menos a série não tivesse demorado tanto a engrenar.
01. Ruim

 

American Crime Story: The People Vs. O. J. Simpson

american-crime-story-the-people-v-o-j-simpsonVou ser sincero, eu nunca consegui gostar de American Horror Story, mas desde que ouvi falar dessa espécie de spin-off fiquei realmente empolgado com a ideia. Uma série de antologia, baseada em crimes famosos me pareceu super interessante. Saber que o primeiro caso seria sobre o julgamento do O. J.  Simpson, tido por muitos como o julgamento do século, só não foi maior do que a minha empolgação quando soube do elenco escolhido. A escalação e a caracterização de cada um estavam irretocáveis. Cuba Gooding Jr. – que andava meio sumido, estrelando produções de baixo orçamento voltada para o mercado Home Video – finalmente tem a chance de mostrar todo seu talento. Ele é o próprio Juice. Todo o elenco de apoio, aliás, é fenomenal. Sarah Paulson, John Travolta, David Schwimmer, Courtney B. Vance entregam atuações impecáveis. A série ganha não só por registrar magistralmente um dos maiores espetáculos midiáticos do sistema judiciário americano, mas por capturar com precisão o clima de polarização que os EUA atravessavam naquele momento, com a crescente tensão racial após a absolvição dos policiais flagrados espancado o taxista negro Rodney King gerar uma onda de protestos e manifestações, que culminou numa das maiores ondas da violência da história da Califórnia. Não é a toa que a série foi a grande premiada do Emmy e do Critics’ Choice Awards. O Povo Contra O. J. Simpson é uma pequena Obra-prima moderna. Trata sobre racismo, misoginia, sobre o poder da mídia e como a sociedade é facilmente manipulável. Além de trazer todas essas reflexões, é ainda um entretenimento de ótima qualidade. Se você não viu ainda, vá conferir!
05. Excelente

 

Por hoje é isso, galera! Até a próxima

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