Berserk 2016 – Do Luxo ao Lixo

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Quando Kentaro Miura comentou na revista Young Animal, da editora Hakusensha, sobre o projeto para um novo anime de Berserk para 2016, contando os eventos pós-eclipse, com Guts na sua emblemática aparência do “Espadachim Negro”, o coração bateu forte de alegria e ansiedade. Desde a última animação, em 1997, os fãs sofrem com os inúmeros hiatos no mangá, e a depender da boa vontade do autor, tínhamos de nos alegrar com três ou quatro capítulos ao ano.

epx0stzyvpfsxrkzrs7uPara o alento dos fãs, em 2012 foram lançados 3 OVAs de Berserk – Berserk Ougon Jidai-Hen I: Haou no Tamago. Porém, novamente os três OVAs tratavam do arco da Era de Ouro, já explorado exaustivamente no mangá e no anime de 1997. Após quase 20 vinte anos de espera, teríamos finalmente uma nova animação dentro do arco da Idade das Trevas, além de que a produção de capítulos do mangá voltaria a ser mais frequente, mas como diz o ditado “nem tudo que reluz é ouro”, a produção da nova série deixou a desejar em muitos aspectos.

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Produzido pelo estúdio GEMBA em parceria com Milepensee, o primeiro episódio de Berserk foi um verdadeiro banho de água fria para aqueles que esperavam uma produção à altura do que é produzido no mangá. O primeiro episódio se passa em uma parte avançada da trama (volume 16), cortando o arco das falsas crianças elfas, porém apesar de se criticar o fato de o novo público não conhecer muito bem a história e nem saber como Guts se tornou essa figura amarga e violenta, a série conta com o que já foi desenvolvido sobre a Golden Age (Era de Ouro) tanto no mangá quanto no anime anterior, para que o novo público consiga se situar na fase atual.

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Será essa cena uma representação fiel do sentimento dos fãs?

O problema maior da série está no aspecto visual e na animação. Grande parte do episódio é feito em CGI, mas em um péssimo CGI. A maioria dos personagens são muitas vezes inexpressivos e mal desenhados, tem-se a impressão de que são rígidos bonecos, e a animação contribui muito para essa impressão, uma vez que não apresenta fluidez nos movimentos e nas expressões. Isso sem contar a estranha textura de alguns dos demônios e apóstolos. É difícil chegar ao final de um capítulo sem aquele sentimento de “ma che porca miseria!”com a produção.

vmshes0Em muitos momentos há também animação em 2D que se mescla com CGI. Em alguns trechos – sobretudo na parte em que Guts tem um flashback do período em que guerreava ao lado de Griffith e do Bando do Falcão -, a animação em 2D é caprichada, o que me faz perguntar por que não seria melhor manter assim, já que o estúdio é pequeno e talvez um bom trabalho em CGI (como foi no caso dos OVAs, que melhoraram o CGI significativamente até o fim do longa) não coubesse no orçamento. De qualquer maneira, em vários episódios a produção em 2D também deixava muito a desejar nos casos de cenas mais amplas que requeressem maior esmero na animação e no traço dos personagens.

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Momento de capricho em 2D.

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Mangá wins!

É impossível para quem o assiste não ter um estranhamento pelo fato de uma história tão boa, e bastante densa, ter uma produção que seria talvez digerida bem se fosse feita há 10 anos. “Mas, Evandro, a série só possui pontos negativos? Você só reclama! Se não gosta, não veja! É melhor isso do que nada!”. Espera aí, pequeno padawan da geração Z. A série tem, sim, pontos positivos. A trilha sonora é um deles (se bem que aquele som de atrito de panelas da Dragonslayer soa muito bizarro). As músicas de abertura e encerramento são equilibradas e dão um tom mais ou menos acertado, porém as trilhas em geral são muito bem trabalhadas.

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Por favor, não diga que não estou tentando…

Além disso, apesar dos pesares, a história continua cativante e vai prender, com certeza, a atenção de quem assiste. Eu sou um dos que vi todos os 12 episódios (admito que com uma certa expectativa em relação à melhora de qualidade) com a mesma curiosidade e animação de 7 anos atrás. O roteiro continua sendo fiel ao mangá, e em geral as dublagens e as personagens mantiveram a mesma qualidade no que diz respeito à índole de cada uma, sobretudo com ênfase à primeira aparição em animação do desengonçado elfo Puck, o qual proporciona um pouco de diversão e leveza em meio a um cenário nada ameno.

berserk-ep1-pic2Outro ponto positivo é que também a série está ganhando uma nova geração de fãs, e isso tem feito o Sr. Miura arregaçar as mangas e prosseguir com os capítulos do mangá com certa frequência, diminuindo assim os angustiantes hiatos, além de que está para sair um novo jogo de Berserk ainda neste ano, no estilo Musou para as plataformas PS4, PS Vita e PC aqui no ocidente. E também podemos aguardar com maiores expectativas uma segunda temporada da série.

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Berserk Musou

O jeito é torcer para que as críticas dos fãs a essa primeira temporada sejam ouvidas, e que possamos ver Berserk numa produção que, ainda que não se equipare ao traço espetacular do mangá, feita pelas mãos de Miura, que chegue próximo de uma adaptação à grandeza do que esta grande obra representa. No mais, Berserk 2016 pode ser considerado um anime mediano ou fraco, mas que além de alguns erros, ainda consegue manter a atenção do telespectador numa narrativa que não tem nada de desinteressante.

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